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A oração é o espelho da fé. É pela oração que a alma se une a Deus, em total intimidade; é pela oração embebida em amor que os traços de Cristo são impressos na alma; é pela oração que se pode, com a própria visão de Deus, ver o mundo e o irmão.
João Paulo II viveu totalmente imerso na oração e isso não podia ser ignorado por ninguém, nem mesmo pelos mais céticos.
A maior alegria de João Paulo II era ter a capela tão próxima de seus aposentos, ele mesmo diz isso em seu livro Levantai-vos!Vamos!, “ A capela fica tão perto para que na minha vida tudo – a pregação, as decisões, a pastoral – tenha início aos pés de Cristo, escondido no Santíssimo Sacramento […]. Estou convencido de que a capela é um lugar de onde provém uma inspiração particular. É um privilégio enorme poder habitar e trabalhar no espaço dessa Presença, uma Presença que atrai, como um potente imã”.
Desde o início de seu dia, João Paulo II já se entregava a oração íntima, ajoelhado diante do sacrário e esse clima de oração permeava todas as atividades de seu dia. João Paulo II rezava sempre: entre as muitas reuniões, a caminho das audiências, no carro, em um helicóptero, no terraço do Palácio Apostólico, onde mandara colocar as catorze estações da Via Sacra, praticava essa devoção todas as sextas-feiras do ano e, na quaresma, todos os dias. Rezava o terço em diversos momentos da jornada, até completar o Rosário.
Uma fé segura, sólida e feliz, lhe saía por todos os poros do corpo e da alma. Acreditava de fato em Deus, em Jesus, único Salvador do mundo; acreditava na salvação universal e com confiança de filho acreditava na poderosa intercessão da santíssima Virgem Maria, em cujos braços maternos se abandonara desde muito cedo, declarando-se “Todo teu!” (Totus tuus!).
Isso explica a serena firmeza com que João Paulo II se entregou totalmente a sua missão e se empenhou, sem descanso, ao longo dos seus vinte e seis anos de pontificado em aprofundar na autêntica doutrina católica. Todos sabiam que ele pregava sobre aquilo em que inabalavelmente acreditava, sobre aquilo que vivia, sobre aquilo que de fato amava e sentia.
Era poder sentir nas suas palavras a transparência de Deus, nas suas palavras as palavras de Deus. Poder ver se concretizando ali na nossa frente, ao nosso alcance aquilo que o próprio Cristo disse a Pedro em Cesaréia de Filipe: Feliz és Simão, filho se Jonas, por que não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos Céus (Mateus 16,17).

O nosso querido João Paulo II já está junto de Deus, na vida que não morre nunca mais, a sua esperança firmada em Jesus continua a nos iluminar os olhos da alma e a deixar o nosso coração repleto de coragem para vivermos uma vida cristã autêntica, dedicarmos ao anúncio da palavra de Deus a tantos que vivem a desesperança e aflição de ainda não conhecerem o infinito amor de Deus – Avança para águas mais profundas e lança as tuas redes para pesca! (Lucas 5, 3-4).


 

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