Papa proclama oficialmente o Jubileu da Misericórdia

SÁBADO, 11 DE ABRIL DE 2015, 13H39

A proclamação é feita por meio de uma Bula papal (Síntese da Bula – clique e confira) na qual se descreve o que é e como deverá acontecer o Ano Santo

O Papa Francisco presidiu, neste sábado, 11, à cerimônia solene para publicação da Bula de convocação do Jubileu da Misericórdia. Cardeais, bispos, sacerdotes e leigos participaram da celebração no exterior da Basílica Vaticana, diante da Porta Santa que foi, na ocasião, abençoada pelo Papa e será aberta no dia 8 de dezembro quando terá início o Ano da Misericórdia.

confira: Francisco explica por que proclamou o Ano da Misericórdia

A Bula de convocação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia intitulada “vultus Misericordiae” (Rosto de Misericórdia) se compõe de 25 números. Nela, o Papa Francisco descreve as principais características da misericórdia, definindo o tema à luz do rosto de Cristo. “A misericórdia não é uma palavra abstrata, mas um rosto para reconhecer, contemplar e servir”, diz o Pontífice.

A abertura do Ano Santo coincide com os 50 anos da conclusão do Concílio Vaticano II, no dia 8 de dezembro. A conclusão terá lugar na Solenidade litúrgica de Jesus Cristo Rei do Universo, em 20 de novembro de 2016.

Uma particularidade deste Ano Santo é que não será celebrado só em Roma, mas em todas as dioceses do mundo. A Porta Santa será aberta pelo Papa na Basílica de São Pedro em 8 de dezembro e no domingo seguinte em todas as Igrejas do mundo.

A Bula também explica alguns aspectos importantes do Jubileu: o primeiro é o lema “Misericordiosos como o Pai”, a continuação do sentido da peregrinação e sobretudo a necessidade do perdão.

O tema particular que interessa ao Papa se encontra no número 15: as obras de misericórdia espirituais e corporais. Segundo o Papa, elas devem redescobrir-se “para despertar nossa consciência, muitas vezes adormecida frente ao drama da pobreza, e para entrar ainda mais no coração do Evangelho, onde os pobres são os privilegiados da misericórdia divina”.

Uma novidade neste Ano Santo faz relação com a Quaresma, durante a qual serão enviados, a diversas partes do mundo, os “Missionários da Misericórdia”. Iniciativa com a qual o Papa quer ressaltar de forma mais concreta seu cuidado pastoral.

Criminosos, convertei-vos!

No número 19 da Bula, Francisco adverte com certo rigor as pessoas envolvidas com o crime organizado e aquelas “promotoras ou cúmplices” da corrupção. O Papa denuncia esta “chaga apodrecida” e insiste para que neste Ano Santo haja uma verdadeira conversão por parte dos criminosos, especialmente.

“Este é o tempo oportuno para mudar de vida! Este é o tempo para deixar tocar o coração. Diante de tantos crimes cometidos, escuta o choro de todas as pessoas depredadas por vocês na vida, na família, nos afetos e na dignidade. Seguir como estais é só fonte de arrogância, de ilusão e de tristeza. A verdadeira vida é algo bem distinto do que agora pensais. O Papa os estende a mão. Está disposto a ouvi-los. Basta somente que acolhais o apelo à conversão e vos submetais à justiça enquanto a Igreja vos oferece misericórdia” (n. 19).

Diálogo inter-religioso

Francisco também acredita que este ano Jubilar pode favorecer o encontro entre os cristãos, judeus e os muçulmanos, pois ambos acreditam na misericódia de Deus. O Papa pede que a Igreja esteja aberta ao diálogo para conhecer estas religiões e determina que se “elimine toda forma de impasse e desprezo, e leve qualquer forma de violência e de discriminação”.

Por fim, o Sumo Pontífice pediu:  “Neste Jubileu, deixemo-nos surpreender por Deus. Ele nunca se cansa de abrir a porta de Seu coração para repetir que nos ama e quer compartilhar conosco a sua vida… […]”. Francisco também desejou que o Ano Jubilar da Igreja se converta em eco da Palavra de Deus que ressoa forte e decidida com palavra e gestos de perdão, de suporte, de ajuda, de amor.

“Nunca se canse de oferecer misericórdia e seja sempre paciente em confortar e perdoar. A Igreja se faça voz de cada homem e mulher e repita com confiança e sem descanso: ‘Lembra-te, Senhor, de tua misericórdia e de teu amor; que são eternos.’”, conclui o Papa.