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A Ação do Espírito Santo na Igreja

 Consumada a obra que o Pai tinha confiado ao Filho sobre a terra (Cf. Jo 17,4), no dia de Pentecostes foi enviado o Espírito Santo para santificar continuamente a Igreja, e assim os que viessem a acreditar tivessem, mediante Cristo, acesso ao Pai num só Espírito (Cf. Ef 2,18). Temos agora o início do tempo da Igreja, tempo marcado pela expansão do Evangelho, testemunho apostólico. O Espírito que habita na Igreja garante a ela conhecimento da verdade, faz com se mantenha sempre jovem, renovando-a continuamente através do ministério, dos dons hierárquicos e carismáticos.

Atuando na Igreja, o Espírito Santo, indica o caminho que leva à união dos cristãos, é fonte dessa unidade, espelhada na comunhão e unidade da Trindade. A Igreja descobre na sua atuação no mundo os maiores apelos pelo qual a humanidade passa. A Igreja “é impelida pelo mesmo Espírito Santo a cooperar para que se realize o desígnio de Deus, que constitui Cristo princípio de salvação para o mundo inteiro”.[1]

Como membros da Igreja, participamos do corpo de Cristo, Cristo se nos abre no Espírito. Este Espírito de Deus é uma força que nos faz vivenciar a Cristo. “Apoderados no Espírito e pelo Espírito, pertencemos a Cristo, pois se trata do Espírito dele (Rm 8,9b)”.[2] Pelo fato de estarmos em Cristo e no Espírito podemos viver na liberdade, como santificados, iluminados como eleitos de Deus.

Este será o defensor, o paráclito, continuador das obras salvíficas, aquele que ajuda a compreender a mensagem de Cristo, aquele que garante a mesma verdade na Igreja que os Apóstolos ouviram de Jesus. A ação do Espírito na Igreja garante a continuidade do testemunho apostólicos nos seus sucessores, guiando-os no caminho da verdade. Por meio do Espírito o Pai vivifica os homens mortos pelo pecado. Nos filhos dá testemunho de que são filhos adotivos (Cf. Gl 4,6).

A consistência da Igreja consiste no ser sustentada pelo Espírito, é o mesmo Espírito que age na dimensão sacramental, na sua renovação, na sua santificação através dos sacramentos, na atuação de seus ministros, na conservação da tradição apostólica e na constante busca da realização do Reino de Deus no aqui e agora da humanidade. Enquanto corpo de Cristo é o Espírito que dá vida e a faz crescer.

 Com suas particularidades, as pessoas são a grande riqueza da Igreja, que são conduzidas pelo Espírito de Deus para viver a unidade em meio a tantas realidades diferentes, animando sua diversidade. A Trindade é para a Igreja paradigma de unidade. Na Igreja temos dois sacramentos que demonstram a unidade: O Batismo e a Eucaristia.

Temos na Igreja uma unidade de fé, embora demonstrada através de muitas expressões. Temos uma unidade de sacramentos, através de muitos ritos. Temos uma unidade de governo, através de muitos ministérios. São esses 3 elementos que mostram a unidade. A unidade não é uniformidade, há sempre diversidade.

O Espírito Santo é princípio de catolicidade. O significado da palavra católico vem do grego “Kath olon” que significa universal. A catolicidade se fundamenta na comunhão de fé, na comunhão sacramental e na comunhão com o bispo de Roma. A Igreja é católica em duplo sentido: Porque nela Cristo está presente, onde está Jesus Cristo aí está a Igreja; e porque é enviada em missão por Cristo à universalidade do gênero humano.

O Espírito Santo santifica a Igreja. A Igreja pode ser chamada de Santa porque deve ser olhada em relação a Deus. Este é Santo, a santidade de Deus é partilhada, a Santíssima Trindade partilha a santidade com a humanidade. Porque Deus é Santo, a Igreja também é Santa, porque procede deles, da Trindade. Atuando na vida da Igreja, nos seus membros, o Espírito Santo suscita e irradia a santidade.

Concluindo esta reflexão sobre a ação do Espírito Santo na Igreja, dizemos que é o Espírito Santo que nos move a rezar, a contemplar a Deus, a buscar a santidade. É Ele que nos fortalece, nos conforta em nossos sofrimentos e dificuldades. É o Espírito Santo que nos faz vencer as tentações tão insinuantes e perigosas da carne, da soberba, do orgulho, do desejo de coisas vãs e supérfluas. É Ele que habita em nós como num templo e, na verdade, nos consagra ao Pai e ao Filho.

[1] LG 17.

[2] Mysterium Salutis. A Igreja. Vozes. 1975. V. IV/1. p. 144.

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