A Missão de Maria 


 

Aqui queremos nos deter sobre a figura de Maria como modelo de um coração humano que se abre para a ação da graça de Deus até o ponto de Deus fazer nela morada (cf. Lc 1,35) e por sua imensa benevolência escolhê-la para ser mãe do Verbo que se encarnou entre nós. Maria não desilude algumas das aspirações profundas dos homens e mulheres do nosso tempo. Ao contrário, oferece o modelo acabado do discípulo do Senhor: “construtor da cidade terrena e temporal, e simultaneamente peregrino para a cidade celeste e eterna; promotor da justiça que liberta o oprimido e da caridade, testemunha operosa do amor”[1].

Maria é a máxima realização da existência cristã. Através de sua fé (cf. Lc 1,45) e obediência à vontade de Deus (cf. Lc 1,38), assim como por sua constante meditação da Palavra e das ações de Jesus (cf. Lc 2,19. 51) é a discípula mais perfeita do Senhor. Nas condições concretas da sua vida ela aderiu total e responsavelmente à vontade de Deus, acolhendo sua Palavra e colocando-a em prática e sua ação sempre fora animada pela caridade e pelo espírito de serviço. Viveu toda a peregrinação da fé como mãe de Cristo e dos discípulos, na incompreensão e na busca constante do projeto do Pai. Interlocutora do Pai no projeto de enviar o Verbo ao mundo para a salvação humana, com sua fé, Maria é o primeiro membro da comunidade dos crentes em Cristo e também a colaboradora no renascimento espiritual dos discípulos.

Maria é o humano permeado do divino em todas as suas dimensões e recantos. Sua humanidade inteiramente aberta e penetrada, sua participação plena no projeto do Reino, ajudam-nos a perceber quem é o Deus desse Reino: Deus criador que não cessa de fazer maravilhas em favor dos pobres, de derrubar poderosos e saciar famintos (cf. Lc 1,46-55).

Maria ensinar-nos-á também que nosso trabalho estará completo quando cada qual puder fazer sua afirmação: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim!” (Gl 2,20). Acredito que sua maior alegria será nos ensinar a penetrar no coração de seu Filho, para conhecer seu amor (cf. Ef 3,19) e ter seus sentimentos (cf. Fl 2,5).

Santo Ildefonso de Toledo (607-670), grande devoto de Nossa Senhora, dizia: “Rogo-te, virgem santa, que daquele Espírito que te fez gerar Jesus, eu receba Jesus. Que a minha alma receba Jesus por meio daquele Espírito que fez com que a tua carne o concebesse”.
[1] MC 37 – Exortação Apostólica Marialis cultus – do Papa Paulo VI.


pe marcos3

 

 


 

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