Maria no Hoje de nossa História

Ser santo é a missão de qualquer discípulo que se coloque a seguir os passos de Jesus, mas este processo requer uma radical humanização. Pois quanto mais humano se apresenta alguém, tanto mais o divino aflora nele, até a completa divinização como em Maria, com a graça vinda do Espírito Santo. Maria é a peregrina da fé, ou seja, ela se faz a primeira discípula. Ela acolhe a Palavra de Deus com fé e meditando em seu coração. A simplicidade e a doação total de Maria é o “terreno” que Deus utiliza para criar uma nova humanidade. Como discípula ela acolhe com alegria a sua missão de ser mãe de Jesus e sinal que orienta os cristãos (cf. Jo 19,26). Sua atitude de serviço é testemunho para todos aqueles que com ela se colocam em caminho com o seu filho Jesus. “Como Maria somos impelidos para transformar nossa realidade através da fé alicerçada na promessa de uma sociedade mais próxima do projeto de Deus”[1]. Jesus é o ponto de conversão de toda espiritualidade fundamentada em Maria. Ela apresenta seu filho como o meio para uma vida nova. Na relação existente entre o discipulado e a maternidade está a dimensão feminina de Maria. “Como mulher ela é a caracterização da imagem feminina do Povo de Deus. Ela é feita mãe da comunidade por Jesus e pelo seu testemunho de confiança na promessa”[2].

Antropologicamente, a maternidade divina de Maria, o mistério da encarnação de Deus, é a afirmação de que Deus assumiu o homem, deu-lhe dignidade, humanizou-o e lhe deu a possibilidade de se realizar dentro de um projeto concreto de vida, dando-lhe o modelo: Jesus, que com suas palavras e atitudes mostrou ao homem a sua verdadeira identidade e lhe testemunhou o que é a verdadeira liberdade. “Deus pediu a Maria o seu consentimento. Desta forma, o desígnio de libertação de Deus ficou subordinado ao consentimento de uma mulher. Deus se sujeitou à humanidade representada por uma de suas filhas. Assim, a maternidade de Maria foi consciente, livre e voluntária. Maria em sua maternidade assumiu um papel ativo de colaboradora de Deus” [3].

Hoje podemos dizer que Maria é a mãe num mundo que não tem aspecto maternal, num mundo que não acolhe a palavra de Deus. Ela é a última representante e imagem de um mundo diferente, mais acolhedor. A sociedade é fechada e excludente. “A maternidade de Maria significa a abertura e a acolhida a todos os homens, sejam eles quais forem” [4].

[1] Lina BOFF, Maria e o feminino de Deus, São Paulo, 2005, p. 43.

[2] Bruno FORTE, Maria, a mulher ícone do mistério, São Paulo, 1991, p. 11.

[3] COMBLIN, J. A igreja e sua missão no mundo. Ed. Paulinas. São Paulo. 1985.

[4] Ibidem


pe marcos3

Author

Write A Comment